
O país foi convocado para um referendo no dia 11 de Fevereiro de 2007 de modo a que, os cidadãos eleitores recenseados no território nacional, se pronunciem directamente, através de resposta de SIM ou NÃO, sobre a seguinte questão:
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
(Diário da República, 1ª série - N.º231- 30 de Novembro de 2006)
Em posts anteriores eu falei essencialmente sobre o valor da vida, segundo a minha perspectiva cristã. Não pretendo entrar em confronto com as posições do sim e do não. Creio que muitos dos argumentos usados, tanto de um lado como do outro, são, por si mesmos, "abortivos". Gostaria apenas de acrescentar que (e tentarei não escrever mais sobre este assunto), mesmo que não fosse cristão e não pautasse a minha vida pelos princípios Bíblicos, eu votaria NÃO pelo simples facto de que aquilo que nos querem "impingir" como uma possível nova lei que "põe fim à humilhação das mulheres", não passa de um aumentar da hipocrisia que se tem verificado ao longo dos anos no nosso país.
De facto, eu creio que existe muita hipocrisia à volta deste assunto que tem, acima de tudo, a ver com a dignidade da vida humana. Eu não defendo que uma mulher, que passou pela difícil experiência do aborto, passe ainda pela experiência da prisão... mas a verdade é que eu nunca vi uma mulher presa por ter feito um aborto e muito menos vi a serem julgados médicos, enfermeiros e donos de clínicas que fazem abortos (como disse a "nova Justiceira de Portugal" - "as tais máquinas de fazer dinheiro e que fogem ao fisco"). Tenho visto, sim, um grande aproveitamento político e de interesses muito duvidosos...
Porquê não adoptar uma politica orientada para uma educação sexual, um VERDADEIRO planeamento familiar, um sistema de acompanhamento e adopção de crianças, e muitas outras coisas que possam valorizar a vida humana (a das mulheres e principalmente a das crianças indefesas, mesmo as que ainda estão em formação)!?
Sem dúvida que cada um decidirá conforme a sua consciência. A minha leva-me a votar NÃO, com o sentido de, não julgar mulheres, porém, sentenciar um Estado para o obrigar a cumprir a sua Constituição.